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9
Set
Campanário será patrimônio histórico

Tombamento do símbolo municipal deverá ocorrer em outubro, quando torre completa 70 anos. Foto e texto: Danúbia Otobelli/Jornal O Florense

 

Patrimônio histórico é um título conferido a um bem ou conjunto de bens culturais que, reconhecidamente, possua um valor inestimável para uma comunidade, por apresentar uma característica única. É por sua singularidade especial e por ser um dos principais símbolos de Flores da Cunha que o Conselho Municipal da Cultura aprovou, na última semana, o tombamento histórico do campanário da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes.

No ano em que completa sete décadas, o gigante de Flores entrará para a lista dos bens preservados do município. A partir da aprovação do Conselho, o ato será encaminhado para decreto do poder executivo. Conforme a presidente do Conselho Municipal da Cultura, Lorete Calza Paludo, após o tombamento será elaborado um projeto de restauração do campanário, que por meio de captação de recursos visa realizar algumas melhorias na torre, como iluminação e reforma na área interna.

O intuito da restauração é tornar o campanário um local de visitação como um ponto turístico, onde o visitante possa subir no alto dos seus 55 metros de altura. “Sua importância transcende qualquer definição, pois ele é parte da vida e história  do povo florense. Por isso, preservá-lo é preservar nossa história, nossa cultura e a valorização de nossa gente”, afirma a presidente. 

O campanário carrega em si não somente a história de Flores da Cunha, mas também parte do desenvolvimento social, turístico e cultural do município. “Ele representa a memória de 70 anos, e no  som de seus cinco famosos  sinos,  o lembrete para não  esqueceremos  da fé, das festas e  das despedidas.  El Campanil, como era chamado por muitos, viu Flores da Cunha crescer e se tornar um município próspero, porque as mesmas mãos que o ergueram, também escreveram sua história”, diz Lorete.

Foto: Joel Lanzarin

Com o tombamento patrimonial, o campanário se tornará o terceiro bem histórico municipal. Em agosto de 2018, o antigo cemitério do Travessão Martins foi considerado patrimônio histórico e cultural e passou a ser denominado de Campo Santos dos Imigrantes. Em novembro do mesmo ano, a prefeitura municipal assinou o decreto para o tombamento do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi, que passará por um processo de restauro. O Casarão dos Veronese, em Otávio Rocha, também é tombado pelo patrimônio, porém é um bem histórico estadual. Ele foi considerado patrimônio em 1986 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae).

Um pouco de história
Do alto dos seus 55 metros de altura e constituído de 11.122 pedras de basalto, o campanário começou a ser construído em 6 de outubro de 1946. Ele foi erguido por meio da união da comunidade – que estava disposta a construir uma torre tão imponente quanto sua igreja – e da persistência e do sonho de seu idealizador, Frei Eugênio Brugalli. Essa união superou problemas como escassez de recursos da cidade e a constante incerteza dos colonos quanto a preços e colocação de produtos. Sua inauguração ocorreu em 30 de outubro de 1949 com a bênção da nova torre. O custo do campanário foi de 631.226 contos de réis. 

O campanário conta com um relógio fabricado em 1948, em Estrela. O relógio compreende um martelo de 22 quilos que bate as horas no sino maior, denominado Pierina. A peça custou 69.700 contos de réis e foi instalada em 1950. No alto, do campanário foi colocada uma cruz para simbolizar a religiosidade, a força e a vitória do povo florense. Seus cinco sinos foram comprados em 1900 pelo bispo Dom Augusto Finotti em Savóia, na França. Em 1901, o carrilhão de sinos chegou ao município e foi colocado em um pequeno campanário de madeira, ao lado da igreja. Seis décadas depois, os cinco sinos foram postos na nova torre. Formam uma tonalidade de mi, sol, si e quando tocados juntos o tom é Mi Bemol. Seus badalares podem ser ouvidos em anúncios de festas, missas e funerais. Os poetas Angelo Giusti e Pedro Baggio imortalizaram os sinos em versos compostos em dialeto vêneto. Eles têm os nomes de: Pierina, Cláudia, Dom Finotti, Antonieta e Imaculada.

O campanário foi arquitetado por Vitorino Zani, o engenheiro responsável foi Luiz Lessegneur de Faria e os construtores João De Bastiani, como chefe, tendo como auxiliares Fausto Vezzaro, Benjamim Vezzaro, José Marin e Humberto Menegat. Ajudaram ainda Geremias Vezzaro, Bentivoglio Antônio Marin e João Vezzaro.

Foto: Joel Lanzarin

O que é um tombamento?
De origem portuguesa, o termo é utilizado no sentido de registrar algo que é de valor para uma comunidade, protegendo-o através de legislação específica. O tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público com o objetivo de preservar um bem de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. 

Fonte: Jornal O Florense.