20/07/2020

Pós-pandemia: Proposta transforma edifícios comerciais em conjuntos de uso misto

Um dos efeitos colaterais da pandemia global de coronavírus no campo da arquitetura é a reflexão sobre o futuro das cidades e do ambiente construído. Talvez nunca se tenha debatido tanto sobre isso e muitas propostas e visões vêm sendo divulgadas, abordando desde o convívio nos espaços públicos até os pormenores dos novos usos para espaços privados. Em relação às dinâmicas urbanas, mudanças de programa talvez sejam uma possível saída para garantir que bairros comerciais e de serviço mantenham sua vitalidade.

Com mais pessoas trabalhando remotamente, há uma possibilidade de que alguns edifícios comerciais sofram ligeiro esvaziamento. A partir desta reflexão, os arquitetos Matheus Marques, Ricardo Gonçalves, Luis Favilla e Rolando Figueiredo, do escritório paulistano Hiperstudio, desenvolveram uma proposta que aborda a conversão de edifícios comerciais monofuncionais em conjuntos de uso misto, incorporando unidades residenciais e espaços de convívio público.

“Nossa proposta conceitual procura imaginar novas tipologias e como podemos recriar nossas cidades no mundo pós-COVID-19 transformando radicalmente os edifícios comerciais convencionais. Nossa ideia é intensificar o uso misto, promovendo uma simbiose direta entre a habitação e o escritório”, informam os arquitetos.

Como estudo de caso, tomam o edifício comercial onde seu escritório está sediado, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, reconhecido eixo de serviços e sedes de empresas em São Paulo, com predominância de edificações monofuncionais. Buscando fomentar novos usos e garantir que a edificação continue habitada, a equipe propõe manter alguns pavimentos de escritórios intercalados com novos andares residenciais.

“A partir disso, criamos um sistema de encaixe de diferentes tipos de apartamento que se conectam verticalmente a pelo menos um módulo de escritório. Desse modo, os moradores garantem um espaço de trabalho adequado, livre das interferências domésticas, mas com ligação direta ao lar. Em contrapartida, os escritórios podem permanecer funcionando com acesso independente em seus pavimentos exclusivos, mantendo uma atmosfera adequada às relações profissionais com os clientes e equipe externa”, comentam.

Para atender à necessidade humana de convívio externo, a cobertura dos edifícios a serem convertidos deverão receber espaços de lazer e encontro, com projeto paisagístico que garanta o contato com a vegetação. O projeto pretende, deste modo, oferecer uma alternativa a edificações e bairros que poderão ver um esvaziamento após o fim da pandemia, perdendo sua vitalidade e tornando-se inseguros.

Fonte: ArchDaily.

Compartilhar: